terça-feira, 1 de maio de 2012

Ferramentas de Segurança do Trabalho - Execução do PPRA

O PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais é um programa de higiene ocupacional prevista pela NR-9 na legislação de segurança do trabalho brasileira. Essa legislação é regulamentado pela lei 6514/77 e é parte da CLT. Todas as empresas com funcionários com  carteira assinada devem ter o programa. Este documento avalia os riscos ambientais presentes em cada local da empresa e traz um cronograma onde devem ser solucionado os problemas encontrados quanto a não conformidades de Segurança do Trabalho na empresa. Por conta de exigências legais ou contratuais muitas empresas fazem este programa contratando profissionais terceirizados. A partir de então recebem um documento em que informa as principais deficiências da empresa e as melhorias que devem ser realizadas. Então começa a maior deficiência que tem as empresas: a implantação do programa. A falta de designação de um funcionário para esta atividade e de preparo quando é designado um funcionário breca a eficacia do PPRA e muitas vezes faz com que o mesmo more em uma gaveta por um ano. Na prática a empresa paga por um bom serviço mas não dá o andamento necessário. Nem sempre este andamento é de fácil execução. O mesmo deveria ser acompanhado por um profissional da área em conjunto com um profissional da empresa até que a empresa tenha maturidade suficiente para executar e se beneficiar de seu PPRA. Segurança do trabalho é investimento e não custo e deve ser tratada com a máxima seriedade pois o bem em questão são vidas. O primeiro passo para a execução do PPRA é a colocação em pratica de seu cronograma. Quando a empresa não possui suficiência técnica para levar adiante o programa a mesma não deve se furtar de contratar um profissional para dar andamento. Caso contrario essa poderosa ferramenta vira um tigre de papel. 

Giovani Savi - Editor do Blog Segurança do Trabalho no Brasil

EPC: o anjo da guarda do trabalhador.


Embora não sejam tão badalados quanto os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), os Equipamentos de Proteção Coletiva, ou EPC, são equipamentos utilizados para proteção de vários trabalhadores em uma atividade especifica.
Alguns EPCs conseguem proteger um trabalhador de um risco de acidente ou doença do trabalho mesmo que ele tenha algum momento de distração. Também podem ser utilizados combinados com o uso de EPIs. Os mais comuns são:
1- Enclausuramento acústico de fontes de ruído: este tipo de proteção procura colocar a fonte de ruído em local com isolamento acústico em que ou só o operador fica exposto aos ruídos gerados ou nenhum deles fique exposto ao ruído. Este tipo de proteção pode não ser o suficiente para  atenuar todo o ruído gerado acima de 80dB(A), neste caso será preciso utilizar protetor auricular em suas proximidades. Quando a atenuação consegue fazer com que ruído propagado seja menor que 80dB(A), esse tipo de  EPC acaba com a necessidade de uso de EPI no local
2- Ventilação e exaustão dos locais de trabalho: essa medida serve para baixar concentrações de produtos químicos no local a níveis salubres ou em concentrações em que os EPIs sejam suficientes para a proteção do trabalhador
3- Proteção de partes móveis de máquinas e equipamentos (conforme NR 11): essas proteções visam fazer com que o trabalhador não tenha acesso às movimentações de engrenagens, correia, polias e qualquer outra parte que se movimente da máquina e que possa causar acidentes.
4- Cabines de segurança biológica, capelas químicas e cabines para manipulação de radioisótopos: fazem com que o risco fique confinado em um recinto, reduzindo sua exposição apenas aos trabalhadores habilitados e treinados para trabalhar nestas condições especificas de riscos ambientais.
5- Estruturas de ancoragem: próprias para fixação de cinto de segurança tipo paraquedista em atividades em altura. São dimensionadas para que, em caso de acidente, o trabalhador fique preso ao cinto a espera de socorro, eliminando quedas de grandes alturas, muitas vezes fatais.
Este tipo de proteção proporciona segurança mais efetiva aos trabalhadores e é um investimento que se paga ao longo do tempo.

Fonte: Blog do Trabalho
Por Giovani Savi - Editor do Blog Segurança do Trabalho no Brasil

DORT - DISTURBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO.


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista Proteção e complementa a postagem que fizemos a respeito das LER  - lesões por esforços repetitivos, abordadas também como DORT, uma visão medica e mais aprofundada do assunto, alem de uma boa fonte de subsídios para conscientização dos trabalhadores quanto a estes riscos.

 
Data: 16/03/2012 / Fonte: Hospital Albert Einstein 
O corpo humano tem uma incrível capacidade de regenerar os tecidos lesionados por movimentos e esforços excessivos, mas precisa de um tempo para isso. Se as atividades que geraram o problema continuarem sendo repetidas, a lesão progride, e a dor torna-se cada vez mais constante.

São as tendinites, tenossinovites, bursites, síndrome do túnel do carpo e várias outras doenças agrupadas sob a denominação distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT).
Anteriormente denominadas lesões por esforços repetitivos (LER), essas doenças vêm crescendo em todo o mundo e são uma das principais causas de afastamento do trabalho. Mas as atividades profissionais não são as únicas vilãs. Esforços excessivos e repetitivos nos esportes, em tarefas domésticas e até nas horas de lazer na frente do computador ou do videogame podem favorecer o surgimento dessas enfermidades.
Segundo a Dra. Alessandra Passos, fisiatra do Einstein, nos anos 70 essas doenças eram vistas principalmente como males relacionados a esforços repetitivos no trabalho e numa perspectiva mais física. "Atualmente, o entendimento é mais amplo. Não se limita ao aspecto físico ou biomecânico. Abrange outras dimensões, inclusive a emocional ou psicológica", afirma a médica.

Hoje as pessoas estão expostas a um ambiente profissional mais estressante, caracterizado pelas pressões de produtividade, competitividade e prazos; são mais sedentárias que as gerações passadas, em função das facilidades e tecnologias da vida moderna, e acabam expondo o organismo além dos limites que ele tem capacidade de suportar. "Mas duas pessoas que exercem a mesma atividade, trabalhando o mesmo número de horas, irão reagir de maneira diferente, em função de um conjunto de fatores - das características físicas e genéticas às posturas que adotam na execução da atividade ou à forma de lidar com as pressões", afirma a fisiatra. "É preciso, portanto, considerar todo o conjunto de elementos relacionado a cada indivíduo. É importante tratar a consequência, mas é necessário tratar também a causa", completa a Dra. Alessandra.

Diagnostico
Em geral, o diagnóstico é feito na consulta médica, a partir do exame clínico, dos sintomas descritos pelo paciente e do relato de suas atividades e hábitos que possam ter originado o problema ou que podem agravá-lo. O questionamento é exaustivo e abrangente: o que acontece em casa e no trabalho, atividades que exigem esforços excessivos ou repetitivos, qual tempo dedicado a elas, como e quanto a pessoa dirige, se fica sentado, qual altura da cadeira; modelo e peso da bolsa ou mochila que usa habitualmente; como dorme, tipo de colchão e travesseiro; altura do monitor do computador, tipo de mouse, etc. Em alguns casos, o médico poderá solicitar exames complementares, como ultrassonografia, ressonância magnética e eletroneuromiografia.

De acordo com o Dr. Mário Guarnieri, ortopedista e especialista em cirurgia das mãos, as LER são, normalmente, lesões pouco graves. "Geralmente, o que falta é repouso adequado ou irrigação sanguínea para que o tecido possa cicatrizar", afirma ele. "Quando um atleta profissional rompe um tendão, ele é colocado em repouso para que o corpo possa fazer a reparação dos tecidos. Mas uma pessoa que trabalha nem sempre consegue parar. Acaba mantendo o esforço e não dá tempo de cicatrização para o organismo, fazendo com que a lesão progrida".

Por isso, segundo o médico, é importante a conscientização do paciente, dedicando tempo para explicar a ele qual é o seu problema, como o mal poderá evoluir e como ele próprio pode ajudar na recuperação. "É mais fácil obter a adesão do paciente ao tratamento se ele entende o que está acontecendo e o que pode ou não pode fazer para ajudar", afirma o Dr. Mário. "Se eu não explicar à pessoa que estou imobilizando seu braço para favorecer o descanso da musculatura daquela região e agilizar a recuperação dos tecidos afetados, ela vai fazer força dentro do gesso, e o procedimento será inútil", exemplifica ele.

Tratamento
Os tratamentos variam segundo cada caso e tipo de doença. Idealmente a abordagem deve incluir o apoio de uma equipe multiprofissional - ortopedista, fisiatra, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e acupunturista, entre outros -, contemplando, além da dimensão física, os aspectos psicológicos, estilo de vida, etc.

Novos recursos, como a toxina botulínica, vêm se somando ao arsenal de tratamentos. Semelhante à aplicação estética contra rugas, a toxina paralisa por um período as contrações do músculo, que ganha um tempo de repouso para se restabelecer. Já o tratamento por ondas de choque (o mesmo equipamento usado para bombear pedras no rim) pode ser utilizado em casos mais específicos e vem sendo adotado em tendinites calcárias (acúmulo de cálcio nos tendões).

Entenda a diferença entre tendinite e bursite
Essa terapia gera um aumento local de vasos (neoangiogênese) e de substâncias que são potencialmente vasodilatadoras. "O objetivo é aumentar a irrigação sanguínea, o que ajuda na cicatrização da lesão", explica o Dr. Mário. Outro recurso - este ainda sem comprovação científica e, por isso, foco de algumas controvérsias na comunidade médica - é o plasma rico em plaquetas (PRP). Obtido do sangue do próprio paciente, o concentrado de plaquetas é aplicado na área afetada, também com o objetivo de ativar o processo de cicatrização.

Tradicionais ou modernos, é vasto o leque de tratamentos. Mas melhor mesmo é prevenir as LER/DORT. As recomendações básicas são: atenção para adotar as posturas adequadas; cuidados com a ergonomia (mobiliário adequado, disposição e altura dos equipamentos, como a tela do computador, posicionamento do teclado e do mouse, apoio para os pés); alongamento e fortalecimento dos músculos mais exigidos; intercalar tarefas (entremear, por exemplo, o trabalho no computador com ligações telefônicas; ou a atividade de passar roupa com a de arrumar a louça); e fazer pausas regulares durante as atividades repetitivas.

Amianto: um risco silencioso que causa mortes, posicione-se contra este risco!



pulmão doente (asbestose)


Estima-se que sete milhões de pessoas morram de câncer anualmente. Hábitos pessoais e condições de ambiente são responsáveis por 40% dos casos de câncer, o que significa que cerca de 3 milhões de óbitos anuais poderiam ser prevenidos. O ambiente de trabalho é responsável por 4% a 20% de todos os casos de  câncer na população geral. Isoladamente, o amianto é responsável por um terço dos casos de câncer ocupacional e 50% dos casos de câncer de pulmão de causa ocupacional. O amianto é o agente causal de mais de 80%  dos casos de mesotelioma pleural, um câncer raro da membrana que envolve os pulmões, de péssimo prognóstico.
Dados do sistema de informações de Mortalidade do Ministério da Saúde mostram uma curva francamente ascendente de mortes por mesotelioma em São Paulo. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de amianto. Entre 2008 e 2010 a produção aumentou, assim como a importação e o consumo interno.  Em 2010 o consumo estimado foi de 0,9Kg/brasileiro. Entre 1975 e 2005, o mercado brasileiro consumiu cinco milhões de toneladas de amianto traduzido em produção, transformação (produtos de cimento-amianto e outras centenas), instalação, remoção e descarte. Estes produtos estão espalhados pelo ambiente. Não é necessário esforço para entender que o problema extrapola o ambiente de trabalho.
A chance de um cidadão se expor ao amianto, assim como a outros cancerígenos reconhecidos, aumenta na proporção de seu uso. A produção e utilização do amianto tipo crisotila é permitida na maior  parte dos estados brasileiros. A nocividade do crisotila é inconteste, ele é classificado dentro do Grupo 1 das substâncias carcinogênicas  pela International Agency for Research of Cancer (IARC), organismo da OMS. Isto significa que há suficientes evidências experimentais e epidemiológicas que permitem classificá-lo como cancerígeno para  humanos.
A OMS e a Organização Internacional do Trabalho entendem que a única forma de se prevenir as doenças associadas ao amianto é através da cessação da sua utilização. Em adição aos cânceres do sistema respiratório baixo e mesoteliomas, o amianto é, também, causalmente associado ao câncer de laringe e câncer de ovário.
A “utilização segura” do amianto no seu ciclo é enganosa e inviável. Quem controla a sua “utilização segura” na construção civil? Quem controla a sua “utilização segura” em manutenção de máquinas, equipamentos e instalações que o contenham? Quem controla a sua “utilização segura” em reformas e demolições? Quem controla a contaminação de locais previamente utilizados para armazenamento e/ou a produção de produtos contendo amianto? Qual é a necessidade de se manter a sua produção e uso? Há substitutos seguros para todas as utilizações conhecidas do amianto. Nenhuma fibra substituta faz parte da lista de cancerígenos do IARC. Em adição, há estudos que demonstram a viabilidade técnica e econômica de substituição do amianto.
Na última segunda-feira, em julgamento histórico na cidade de Turim, Itália, dois ex-proprietários de um poderoso grupo europeu de cimento-amianto foram condenados a 16 anos de prisão e a vultosas indenizações moentárias, por omissão de informações sobre os riscos associados à manipulação do amianto e por quase 3 mil mortes causadas por doenças associadas ao amianto em ex-trabalhadores e habitantes do entorno de uma da suas empresas, em Casale Monferrato. Boa parte do amianto usado pelo grupo era proveniente da mina de Balangero, Itália, do tipo crisotila.. Em São Paulo, já há algumas centenas de casos diagnosticados de doenças em ex-trabalhadores de indústrias de amianto.
O tempo corre e não faz concessões. O Estados brasileiro se esquiva, repetidamente, do problema, não respeitando o valor constitucional de proteger seus cidadãos. Nos últimos anos, perderam-se diversas oportunidades de proibir seu uso no território nacional. Perdeu-se também a oportunidade de evitar que o risco continue a se estender a populações de outros países importadores do amianto brasileiro.
Boa parte dos casos de câncer é evitável. Hábitos pessoais são voluntariamente adotados e administrados. Porém, o trabalhador não tem essa escolha. Nem pessoas submetidas a exposições inadvertidas.